março 29, 2012

Fazem Falta - artigo de Arthur Virgílio




*ARTHUR VIRGÍLIO
          Num espaço curtíssimo de tempo, lá se foram Chico Anysio, mestre do humor no Brasil, e Millor Fernandes, o pensador, escritor, frasista, tradutor e cartunista. Fazem falta imensa a um Brasil que se tem marcado pela corrupção, pelas decepções, pelo rebaixamento dos valores.
     - Blog Conversa Afiada -   
Chico, quase 81 anos, fazia as pessoas felizes e sorridentes, sem deixar de praticar a crítica mais corrosiva aos desvios de conduta de políticos, de empresários, dos cidadãos. Os notáveis tipos que criou não seguirão com ele para o céu; ficarão conosco, com os nossos descendentes, para sempre.

          Millor, 88, um dos mais densos intelectuais que este país já produziu, foi sempre a representação da vanguarda, da ousadia e da coragem. Sobre esta última, os tempos heroicos do “Pasquim” atestam muito bem.

          O Millor das frases antológicas, que sempre me pareceu não ter idade, tamanha a sua capacidade de andar à frente dos tempos, nos faz herdeiros de obra plena de talento, humanidade, ironia, advertências. Faz a viagem para a eternidade logo depois de Chico, legando-nos a beleza que compôs, as ideias que o fizeram fonte de inspiração e aprendizado para brasileiros de algumas gerações.

          Não tive a honra de conhecer pessoalmente Chico Anysio. Mas percebo-o como da minha maior intimidade.

          Falei com Millor apenas uma vez, num restaurante no Rio, apresentado pelo querido amigo cineasta Silvio Tendler. Maravilhei-me em ouvi-lo por longo tempo que, quando acabou, pareceu curto demais.

          Chico me emociona pelo sentimento das pessoas e pela correção que sempre demonstrou com suas ex-mulheres e com sua última companheira. Do mesmo modo, sua luta para manter em atividade, na Globo, atores e atrizes veteranos, revelava sublime solidariedade. Era a expressão da generosidade, coração enorme, pulsando com muito amor pela vida.

          Millor sempre se me afigurou um personagem de mitologia. A morte de Chico me encheu de tristeza. A de Millor, de tristeza e estupefação: pensei que ele tinha algum acordo divino para não finar jamais.

- Blog do Noblat/Charge de Chico Caruso -
          Os dois, aliás, não morreram. Apenas o destino lhes oficializou a imortalidade.
          Ri muito com Chico e com Millor. Pensei com um e com outro.

          Agora, corroborando o pranto da nação, vejo um paradoxo, uma ironia. Os donos da verve, da crítica aos poderosos, do humor refinado, fazem uma longa viagem e nos deixam entristecidos.

          Com o tempo, sei que a dor dá lugar somente às melhores lembranças, é substituída por permanente celebração. Vejam Bandeira, Drummond, Machado de Assis? A dor por eles não virou celebração e orgulho?

          Bem sei que é assim, mas por agora, é de se registrar que essa última piada conjunta de Chico e Millor não teve graça nenhuma.

          *Diplomata, foi líder do PSDB no Senado       

10 comentários:

Delmanto disse...

Muito oportuno o tema deste post de Arthur Virgílio. Uma lembrança/homenagem a dois brasileiros que honraram, alegraram e enriqueceram a Pátria, através da arte e da cultura.
A mídia toda, uníssona, deu destaque à trajetória vitoriosa e cidadã desses dois intelectuais. Únicos na capacidade de diversificar a criatividade, beirando, sempre, a genialidade.
O Blog do Delmanto fica sumamente honrado em poder homenagear Chico Anysio e Millôr Fernandes, através da sensibilidade de homem público e de cidadão prestante do ex-Senador Arthur Virgílio.

Anônimo disse...

Inesquecíveis BRASILEIROS! Fiquei comovida com este artigo. Só uma pessoa como o senador Arthur Virgílio para abordar um tema tão divulgado, com uma preciosidade única. (maria-de-lourdes2004@hotmail.com)

Anônimo disse...

Millor Fernandes vem de uma família de intelectuais. É irmão do famoso jornalista Hélio Fernandes, proprietário e diretor da “TRIBUNA DA IMPRENSA”, que tem sido um verdadeiro baluarte da democracia. Foi o único jornalista brasileiro confinado pela Ditadura Militar. Ele de uma trincheira e o Millor de outra, souberam dignificar a Nação. A arma de Millor ia desde as fábulas, as frases cortantes, o humor adequado, as caricaturas marcantes, enfim, lutou a boa luta com as armas de que disponha e com as quais agia com muita maestria e civismo. Salve Millor Fernandes!
(jair.castro66@yahoo.com.br)

Aurelio disse...

É por estas e outras que admiro Arthur Virgílio, um homem de para ser admirado!
Esta sim seria o homem certo para conduzir nossa nação, sempre com coerência no que diz e faz, enorme senso crítico e realista sempre!
Adeus Chico, Adeus Millor e volte logo Arthur, o Brasil precisa de homens como você!!!
Grande abraço amigo Delmanto e parabéns pela opotuna matéria!!!

Anônimo disse...

Millor foi um dos fundadores de “O PASQUIM”, tablóide que representou a resistência democrática durante o Regime Militar. Ele , Ziraldo e Henfil eram a imagem das matérias dos colunistas do jornal de oposição. Suas fábulas e suas frases ficaram famosas. Millor Fernandes teve vida produtiva desde a época da revista “O CRUZEIRO”, passando pelo “O PASQUIM”, “VEJA” e tantas outras publicações de prestígio, ultimamente com presença certa na internet. O Brasil perde um grande democrata! (bastosgustavo@yahoo.com.br)

Anônimo disse...

Aurélio Cesar Stüpp (Dihitt): Amigo Delmanto como já lhe falei anteriormente, acho esse cara o Arthur um gênio, e pela sequência natural deveria ser o 2º para candidato em 2014 tendo obviamente Álvaro Dias em 1º, pela sua maior aparição em público, pois Aécio, Geraldo, Pirillo estão todos metidos e alguma encrenca e o serra naturalmente vai se eleger, se sair candidato em 2014 é derrota na certa por deixar a prefeitura.
Meu sonho ainda é ver Arthur Virgílio Presidente!
Grande abraço meu amigo!!!!

Delmanto disse...

Como dramaturgo, Millôr Fernandes foi autor da emblemática peça “LIBERDADE, LIBERDADE”, em parceria com Oduvaldo Viana Filho. Representada por Paulo Autran e Tereza Raquele elenco. Era o TEATRO DE ARENA fazendo a revolução no teatro brasileiro e um Hino à Liberdade contra o Regime Militar. Era o dramaturgo e o cidadão prestante cumprindo seu compromisso com a Nação Brasileira.
Eu tive a honra e o privilégio de assistir a essa peça no Rio de Janeiro, em 1965.
Salve Millôr Fernandes!!!

Anônimo disse...

Olá, Delmanto.
M@riv@n comentou a notícia Fazem Falta - artigo de Arthur Virgílio.

Comentário:
Deus achou chato lá em cima e ele chamou um comediante e um autor. Agora só falta um diretor.

Responda e leia mais no endereço http://www.dihitt.com.br/meu_conteudo#n=fazem-falta--artigo-de-arthur-virgilio&c=1529964

Anônimo disse...

Dalva Gomes da Silva (Facebook):
Infelizmente não somos eternos, duas grande perdas, acho que li todas edições do Pasquim!

Anônimo disse...

Aurélio Cesar Stüpp (Dihitt): Obrigado meu amigo, mas é isso, são no momento as duas únicas opções, pena o Arthur estar longe da mídia, então a lógica seria essa, a menos que queiram colocar alguém que seja alvo de dossiês, pois o livro "Privataria Tucana", nada mais é que um dossiê encomendado e legalizado visando a prefeitura de Saõ Paulo. Mas acabaram dando um tiro n'água!
Abração meu amigo!!!

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