maio 29, 2012

União Européia e as Ficções Malignas!

União Européia e as ficções malignas!

O escritor Mario Vargas Llosa – premio Nobel de Literatura – tem defendido o sucesso da Comunidade Européia e condenado os que insistem em proclamar o fracasso da Nova Europa. Diz ele que “a ficção maligna em moda hoje é proclamar o fracasso da União Européia, esse trabalho graças ao qual o Ocidente vive o mais longo período de paz e convivência da sua história e conseguiu reduzir ao mínimo os regimes antidemocráticos em seu centro e na periferia. E conseguiu ainda diminuir a pobreza e elevar de maneira significativa o nível de vida da população.”

E combate o que chama de ficções malignas. De fato, segundo ele, “diariamente surgem relatórios técnicos, análises administrativas, pesquisas sociológicas e, principalmente, estudos econômicos demonstrando a insolvência do euro e o seu declínio inexorável, o fracasso de unir economias avançadas e sólidas e  aquelas de países pobres e subdesenvolvidos...”

E destaca que “a verdade é que, apesar de guerras, epidemias, genocídios e de todas as formas de destruição e extermínio ao longo de sua história, a Europa, berço da cultura da liberdade, ainda está viva e ativa, enterrou as duas ameaças mais poderosas à democracia – o fascismo e o comunismo – e é a única região onde está em curso a construção de um grande projeto de integração de nações, sociedades, culturas, economias e instituições sob o signo da legalidade e da liberdade.”

A NOVA EUROPA, ou seja, essa união de países é uma experiência vitoriosa. Rompeu as barreiras da intolerância e da rivalidade anã de um nacionalismo inconseqüente, mas preservou a cultura de cada país, com sua história e o seu folclore. O fim das atividades terroristas do IRA é um exemplo emblemático: com a convivência pacífica de tantas nações, restou sem espaço e sem guarida no seio de suas respectivas populações, o separatismo regional calcado no sectarismo e no isolacionismo. A Irlanda, o Norte da Itália e outras regiões da Europa estão assumindo – com a aprovação de suas respectivas populações – esse “status” privilegiado de parte integrante da NOVA EUROPA! 

E essa nova potência mundial tem mostrado que, com a união dos países membros – a preservação das culturas e tradições de cada um - estão sendo mais facilmente cultuadas e expostas à admiração mundial, eis que a NOVA EUROPA tem sido o caminho natural do crescente turismo de lazer, mas que busca e quer cultura e tem vontade de conhecer a história desses bravos povos que construíram a solidez do Ocidente.

E Vargas Llosa é “contra o crescimento de partidos extremistas, de esquerda e de direita, que querem acabar com a Europa e voltar ao tempo das nações voltadas para si mesmas. Não é possível que consigam.”


A eleição de François Hollande, na França, mostra que é possível e benéfica a alternância de partidos no poder, sem traumas e sem sectarismo. Vencedor no domingo, na segunda já dividia com seu adversário de ontem, as comemorações oficiais da Vitória da Democracia na 2ª. Guerra Mundial. Sarkozy – chamado de o 4º Napoleão pelos franceses pelo apoio dado às invasões do Afeganistão e do Iraque – sentiu a aversão histórica dos franceses à guerra e ao militarismo.
E a mudança tem agradado aos franceses: metade de seu ministério é composto por mulheres, já foi ao Afeganistão reafirmar a retirada das tropas francesas, enfim, tem dado um novo perfil à França, deixando de estar sob o “comando”, sem discussão, da nova “dama de ferro, Ângela Merkel...

François Hollande venceu com a bandeira do desenvolvimento adequada ao grave momento de descontrole da economia européia, graças à postura (sem controle fiscal) dos países que gastaram mais do que tinham, que fizeram muitas generosidades às suas respectivas populações, não investiram, “e se endividaram além das suas possibilidades sem imaginar que também a prosperidade tem limites...” E a sua idéia tem contagiado outras Nações da Comunidade Européia. É uma limitação à postura excessivamente rígida da primeira-ministra da Alemanha, Ângela Merkel.


Essa também tem sido a posição dos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a favor do controle fiscal, mas com uma abertura e apoio oficial ao crescimento econômico e ao desenvolvimento de seus respectivos países.

As ficções malignas não terão sucesso. A EUROPA, com ou sem a Grécia, continuará a nos dar uma lição de COSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA, com plena legalidade e liberdade!



6 comentários:

Delmanto disse...

A França é um exemplo típico de Democracia consolidada. A alternância dos partidos da direita e da esquerda é uma constante. No entanto, nada altera a Política Oficial da Economia Francesa. Foram 11 anos de governo do socialista François Mitterrand e a economia continuou a mesma. Muda a postura externa do Poder, mais à esquerda, mais pelo social. Agora, a mesma coisa. François Hollande é socialista e já reafirmou todos os compromissos e contratos da França, especialmente com a Comunidade Européia. Mas já deu uma mostra do perfil diferenciado de seu governo: aberto à participação ativa das mulheres, postura firme na retirada das tropas francesas do Afeganistão e do Iraque. Enfim, a mudança é de postura da equipe de governo. Para os franceses foi um alívio a vitória de Hollande. Era rejeitada a postura de “valet de chambre” de Sarkosy perante a “dama de ferro” que é a Chanceler Alemã, Ângela Merkel.
E mais: os franceses tem uma aversão histórica ao militarismo. Napoleão Bonaparte que representou a França/Império, conquistadora e dominadora é sempre lembrado com restrições pelo povo francês. Só existe uma rua na França em homenagem a ele e tem o nome de BONAPARTE. Essa homenagem é prestada ao então General Bonaparte que prestou relevantes serviços ao país.
O Imperador Napoleão Bonaparte que dominou o país e a Europa é elegantemente mantido no “limbo histórico”...
Essa é a França – Berço da Democracia Moderna!

Anônimo disse...

Perfeita essa colocação. No artigo do Mario Vargas Llosa que saiu no Estadão, ele destaca uma das mais antigas ficções malignas: a que prevê o fim do Ocidente...rsrsrs
“desde a Idade Média, a decadência do Ocidente...Em suas origens, ela tina uma hipotética base religiosa e apocalíptica. No Ocidente ocorreria o fim dos tempos, da história, e o final seria precedido de um longo período de anarquia e catástrofes, matanças, pestes, confusão e ruína. Mais tarde, essas sombrias previsões foram perdendo sua conotação bíblica e adotando um semblante mais realista. Não seriam os inescrutáveis desígnios de Deus, mas a insensatez e a loucura dos próprios europeus que precipitaram a ruína e o colapso do Ocidente..”
E ele conclui: “...a Europa, berço da cultura da liberdade, ainda está viva e ativa...”
E a Comunidade Européia representa, nessa fase da humanidade de plena comunicação virtual, a verdadeira Aldeia Global, apagando os sectarismo daquele nacionalismo anão que estava voltado para si mesmo e passou a dar destaque para a Nova Europa, unida sem preconceitos, sem fronteiras, com uma moeda forte e um futuro exemplar. O Euro vai superar os desmandos dos países que não tiveram a “responsabilidade fiscal” indispensável para garantir a estabilidade econômica.
A força da União Européia prevalecerá, com certeza!
Prof. Luís.(luisroberto-souza@yahoo.com.br)

Anônimo disse...

O escritor peruano e prêmio Nobel de Literatura é uma mente privilegiada. Quem perdeu foi o Peru que teve a oportunidade de tê-lo como presidente e elgeu o Fugimori, hoje “banido” da vida política peruana. A sua análise está perfeita e merece ser analisada pelos políticos e pelos jornalistas de todo o mundo. É chegada a hora de prestigiarmos essa grande obra da engenharia política que é a EUROPA!
Valeu!
(pinto.rodolfo28@yahoo.com.br)

Anônimo disse...

Delmanto, tem um ditado famoso que diz “pimenta “nos olhos” dos outros é refresco!” A Alemanha, é a grande potência econômica da União Européia, mas é preciso dar um olhar mais compreensivo para as nações mais carentes (Grécia, Portugal, Espanha e até a Itália). Erraram? Erraram... Implantar uma política econômica de controle fiscal, mas deixar uma abertura para investimentos nos setores produtivos. O nível de desemprego é assustador. É preciso reagir e encontrar uma solução.
O simples “aperto do cinto” é remédio que pode, ao contrário do objetivo que é salvar o doente, levá-lo à cova...
A eleição do Hollande vai dar mais estabilidade à balança do poder na Nova Europa.
(haroldo.leao@hotmail.com)

Anônimo disse...

A postura da presidenta Dilma está certa. Ao denunciar o "tsunami econômico" que prejudica as nações e não resolve o problema grave da economia mundial. O "modelito" do FMI de "apertar o cinto" vem dos anos 60, do século passado. Implantar um controle rígido - o da responsabilidade fiscal! - mas dar uma abertura para o crecimento, com os olhos voltados para a juventude que , ano a ano, vem ao mercado de trabalho em busca de uma oportunidade. É hora de fazer uma política mais inteligente eque seja, também, empreendedora. É isso!
(p.gomes@yahoo.com.br)

requeri disse...

o autor de tia julia e o escrivinhador é brilhante. acompanho-o, ou tento acompanhar, por onde ele anda. bem feito!!! pro peru que, apesar de não ter sido banido da vida de mario vargas llosa, não conta com a exclusividade de sua nacionalidade, ele agora é ... também ... cidadão espanhol, e por lá reside.

se quiser, leia vargas losa em el pais

http://elpais.com/autor/mario_vargas_llosa/a/

é isso.

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